A história da arte em GIFs

1) Caravaggio produzia diversas versões do mesmo quadro. “A adivinha” teve duas, uma de 1594, outra de 1595. Em ambas, a cena é a mesma: uma moça cigana lê a palma da mão de um grã-fino. Ao aproximar o olhar do quadro (que é grande), porém, o espectador percebe que a cigana está furtando o anel do cliente — algo que jamais notaríamos numa reprodução de internet, não fosse a internet a inventora e o habitat natural dos GIFs. Caravaggio é tão genial que o GIF de suas duas versões revela o movimento do furto.

Caravaggio, duas versoes de A adivinha600

 

2) A famosa série de três fotos do Ai Wei Wei deixando cair uma urna da dinastia Han (1995), quando tornada GIF, segue a lógica do caju-repetido (em que “caju, caju, caju” vira “juca, juca, juca”), isto é, ele não mais é solto e quebra, mas sim quebra e retorna, inteiro novamente, às mãos do artista, como se estas fossem mágicas.

Tenho certeza de que este GIF tem algo a dizer sobre o momento político, nossas tradições quebradas e aquele bom e velho adágio que a Polícia Federal gravou do Romero Jucá: “Todo mundo na bandeja para ser comido”.

Caju, caju, caju.

Ai Wei wei

Victor Heringer

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